Ele estava para de frente a sua grande decisão: acabar com tudo ou seguir em frente com o coração dilacerado, mesmo por que o mundo jamais iria parar para que ele o concertasse.
Sendo capaz de saber ser sua a culpa de tudo, ele não era capaz de saber o que faria com todo aquele sentimento guardado dentro de um coração diminuto e que agora o apertava o peito.
De repente, uma música começa a ser assobiada no seu player: a solidão é fera, a solidão devora, causando um descompasso no seu coração*; de certa forma ele se sentia estranho demais ao ouvir essa música e ao mesmo tempo ela lhe trazia uma paz estranha, era a primeira vez em 14 horas em que ele não tinha vontade de chorar, mas mesmo assim chorava intermitentemente.
A música acaba e ele repete-a sem mesmo saber por que, de repente um estalo acontece e ele percebe o que pode fazer, vai seguir adiante, olha para fora da janela e sente vontade de gritar que vai viver, que sabe que isso vai passar, mas não o faz, pois naquele momento tudo dói.
Nunca cobrou e nem foi cobrado por nada, mas mesmo assim dedica-se de corpo e alma a tudo que faz, e é isso que irá fazer com que ele siga em frente, seus planos para o futuro continuam os mesmos, podem até ser adiados, quem sabe por uma viagem, mas serão mesmo assim realizados.
Nesse instante, o que ele mais deseja e estar quieto, em sua casa, onde ele se sente protegido de qualquer coisa, mas sabe que esse lugar o deixará ainda mais fragilizado, tudo o que ele vê, faz ou toca lhe trás lembranças de sua vida recente. Ele sabe que seus caminhos sempre se cruzarão, mas ele não pode deixar de fazer o que seu coração manda.
Ele senta-se em frente ao seu velho caderno de folhas amareladas e se põe a escrever. Escreve como se fosse a única coisa que soubesse fazer naquele momento e percebe que seu coração lhe deu uma pausa.
Então ele se levanta e sai assoviando a mesma música que acalma e machuca o seu coração.
A solidão da lua, a solidão da noite, a solidão da rua*.
* Solidão – Alceu Valença
domingo, 7 de setembro de 2008
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